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Entrevista com Mário Dolores
O Grupo Popular e Recreativo Cabanense conta com 74 anos de existência e assume-se como um defensor da cultura portuguesa.Em entrevista ao Jornal do Pinhal Novo, Mário Dolores, presidente desta colectividade fez um balanço “positivo” da sua actividade enquanto dirigente do Cabanense.
O Grupo Popular Recreativo Cabanense foi fundado em 13 de Junho de 1933 e continua a assumir um papel de relevo na cultura musical do concelho de Palmela.
Nascido da vontade de um grupo de pessoas, que habitualmente se juntavam num espaço com pouco mais de 100 metros, local onde se encontra hoje a sede social do Cabanense, e a que chamavam “sociedade”, este grupo de pessoas, mais virado para a cultura, acabou por fazer “frente” a um outro grupo de cabanenses mais virado para o desporto, hoje o Botafogo Futebol Clube, e decidiu formar a segunda associação que faz a história do povo de Cabanas, na freguesia de Quinta do Anjo.
– Em Dezembro vão ter lugar novas eleições para a direcção do Cabanense. Pondera na hipótese de candidatar-se?
Francamente não sei. Esta direcção está, actualmente, reduzida a cinco elementos, o que nos provoca um enorme cansaço. Além disso defendo que devo dedicar mais tempo à minha família e actividade profissional. Contudo se não houver nenhuma lista candidata, teremos de assumir a direcção, até porque temos compromissos com a Escola de 1º Ciclo de Quinta do Anjo e que têm de ser levados até ao fim.Mas até às eleições muita coisa poderá acontecer.
– Durante muito tempo pouco se ouvia falar da actividade do Cabanense. Porque?
Durante cerca de 15 anos a única coisa que esta sede recebia eram os bailes e as tradicionais passagens de ano.Também durante 19 anos deixámos de ter Corso de Carnaval e este ano conseguimos voltar a recuperar esta tradição, e que na opinião desta direcção foi uma boa aposta, uma vez que tivemos uma enorme afluência de público e de foliões.Em 2000 foi recuperada a actividade teatral, área igualmente esquecida.
“Recuperámos uma tradição antiga e criámos a nossa Orquestra”
– Contudo a grande aposta do Cabanense voltou a ser a música, onde há 5 anos constituiram a Orquestra Ligeira.
De facto é verdade. Recuperámos uma tradição antiga desta casa e ainda bem que assim foi. Hoje temos um grupo de 21 pessoas, entre músicos e vozes, bem como o Maestro que têm feito um excelente trabalho em prol do Cabanense e sobretudo em prol da cultura do concelho de Palmela e isso é notório através da diversas actuações que fizémos na apresentação das candidatas à Rainha das Vindimas.
– Recentemente estrearam o projecto “Portugal Sempre”. Em que consiste este espectáculo?
O “Portugal Sempre”, quando foi pensado teve como objectivo criar um novo projecto musical, onde pudessemos unir o projecto do nosso grupo de teatro amador.Daí apresentar momentos musicais, mas também algumas recriações teatrais que ainda hoje fazem parte da nossa memória.
– A colectividade sofreu obras em 2006, contudo ainda há projectos que estão na gaveta, porque?
Apesar das obras realizadas em 2006, gostariamos de criar um espaço próprio que viesse a acolher o bar, que se encontra agregado à sala de espectáculos e que não permite o seu funcionamento sempre que temos espectáculo na sala, devido, como é obvio, ao ruído que so seu funcinoamento provoca, nomeadamente quando as máquinas se encontram a trabalhar.
Com a construção desse espaço, que se situaria no terreno que fazemos de parque de estacionamento, mesmo em frente à colectividade, poderiamos rentabilizar a sala de espectáculos e o bar em simultâneo.
– O que vos leva a não realizar essa obra?
A Junta Autónoma de Estradas não autoriza o Cabanense a fazer esse “acrescento”, por outro lado também não temos a verba necessária para a realizar. Mas como não somos de cruzar os braços, vamos continuar a dar bons espectáculos, a apoiar as escolas e a câmara municipal nas mais diversas actividades desportivas e culturais.
Cabanense repõe “Portugal Sempre” O Grupo Popular e Recreativo Cabanense repõe, no próximo sábado, pelas 21h30, o espectáculo "Portugal Sempre".
Esta reposição do espectáculo, preenchido por música portuguesa, deve-se ao êxito alcançado na estreia, no passado dia 10 de Novembro.
Temas como “Sol de Inverno”, “A Minha Música”, “Ele e Ela”, “Fado do Cacilheiro”, “Chico Fininho” e “Solta-se o Beijo” são alguns dos temas interpretados neste espectáculo de música portuguesa desde os anos 60 até aos dias de hoje. Com voz off de António Raposo, este espectáculo faz a ligação entre as várias décadas, e apresenta momentos do antigo e popular programa televisivo “Zip-Zip”.
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