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12-Jun-2007 |
O episódio que vou contar era quase impossível acontecer nos dias de hoje. Mas os tempos mudam e as atitudes também. A minha vizinha Luzia tinha um familiar no hospital de Santa Maria, em Lisboa e deslocou-se para fazer-lhe uma visita. Nesse tempo, as pessoas que não moravam na cidade, não tinham por hábito utilizar o metro ou os autocarros, deslocando-se a pé até ao cais dos barcos. A Luzia saiu do hospital com um sorriso de satisfação porque o seu familiar estava a melhorar rapidamente. Apesar da sua satisfação ficou apreensiva com a negridão das nuvens, que ameaçavam chuva e esta não se fez esperar, caindo com abundância. Sem guarda-chuva a Luzia sentia as gotas grossas começarem a milhar-me a roupa. Olhou em redor e apercebeu-se de um senhor com bom aspecto, que vinha na mesma direcção, bem abrigado por um imponente guarda-chuva. Sem mais delongas, porque a chuva não convidava a acanhamentos, enfiou o braço no do senhor e “apanhou” a providencial e oportuna boleia. O percurso foi feito em silêncio, talvez pela surpresa momentânea do gesto, nem a Luzia, nem o senhor da boleia, trocaram palavras. Ao chegar ao cais de embarque, a Luzia largou o braço do senhor, agradecendo “obrigada pela sua simpática boleia”. O cavalheiro, que não proferira qualquer palavra, respondeu simpaticamente “quem tem que agradecer sou eu, pois nunca tive um par tão elegante e inesperado, que ainda por cima agradeceu o meu gesto”.
Os dois trocaram sorrisos e foram cada um à sua vida.A Luzia quando chegou a casa contou o episódio confessando com satisfação “não apanhei chuva porque tive boleia de um senhor”.
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Actualizado em ( 18-Jul-2007 )
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